Quando a gente pensa em quem possui o poder da nação, talvez o primeiro pensamento seja o presidente da República. Ah, mas estamos muito enganados… os detentores das comunicações de massa é quem realmente colocam os pontos finais em tudo.

‘O quarto poder: uma outra história’ é o livro que pode te provar isso. Paulo Henrique Amorim, um conceituado jornalista brasileiro, trouxe um pouco (sim, porque com certeza tem muito mais escondido) de suas ‘aventuras’ e situações no mínimo perigosas como profissional da comunicação social empenhado em dar publicidade à verdade e fatos vividos. 

Falecido em 2019, Paulo Henrique Amorim, ou PHA, trabalhou para as principais mídia nacionais como a Rede Manchete, o Grupo Abril, para o Jornal do Brasil, Rede Globo, Rede Bandeirantes, TV Cultura e Rede Record. Na internet, trabalhou para a Zaz, Terra, UOL e Internet Group (iG). Ele também era proprietário de um portal independente chamado Conversa Afiada. Já dá pra ver que conteúdo não lhe faltava. Para ter ideia, esse livro foi escrito em 2015, quando PHA já tinha 50 anos de profissão.

Nas 553 páginas, ele analisa meio século de história da mídia brasileira relatando casos vividos entre a mídia e o meio político e econômico do país. Mostra com detalhes e provas documentais como a imprensa determinou os rumos da política. Entra em pormenores de assuntos polêmicos como o suicídio de Vargas e as revoltas contra veículos de imprensa em vários lugares do país. PHA afirma que Vargas foi oficialmente a ‘primeira vítima’ dos donos de mídias brasileiros.

 

Globo

O maior peso em conteúdo do livro é voltado para o Grupo Globo, empresa para a qual PHA trabalhou por mais de uma década, sendo inclusive correspondente internacional por vários anos. Ele relata sem meias palavras como o proprietário do Grupo Globo mandou em funcionários, em empresários, em presidentes… Fez o que quiz. Propunha leis, barrava projetos, decidia qual ministro ficava e qual saía (os ministros de comunicação são nomeados se passarem no “teste de qualidade” da Globo), elegeu e derrubou presidentes. 

         “Fernando Henrique, na verdade, é uma invenção da imprensa.” Pág. 411

         “Quando falo da imprensa no Brasil, falo, é claro, sobretudo da Globo.”

Também pudera, como maior conglomerado brasileiro e da América Latina de mídia e comunicação, ela estava no mundo: escritórios internacionais, repórter na cena do acontecimento, testemunhas com via direta. Credibilidade em alta. (Para o bem ou para o mal)

         “No Rio, o segundo maior mercado consumidor do Brasil, a Globo controla a emissões de Tv aberta, exibe conteúdo em canais de tv por assinatura, tem jornais, revistas, rádios, gráfica e portais na internet. Só falta controlar o acesso ao Pão de Açúcar.” Pág. 409

PHA tinha uma página de debates  na internet chamada “Conversa Afiada”, e foi lá que surgiu o termo PIG - Partido da Imprensa Golpista, e é principalmente sobre ele que o assunto rola… É um livro de opinião, com base na informação.

         “O importante não é o que você publica, mas o que não publica.” - Roberto marinho. Pág. 145

         “O PIG não presta contas a ninguém. A sociedade brasileira, ao contrário da americana, não dispõe de mecanismos institucionais para se defender dele.” Pág. 405

Em seus relatos, Paulo Henrique Amorim comenta fatos desde a época do golpe de 64, quando já era jornalista e estava no Congresso no ápice do ocorrido. 

         “Sempre ouvimos reclamações das censuras na época dos regimes militares, mas nunca falam dos jornais e jornalistas que deram apoio à tortura e repressão. Como exemplo o jornal Folha da tarde.” Pág. 162

Detalhes das negociações econômicas e de planejamento de governos para ‘o futuro’ do país, são detalhados com os olhares e observações de quem ouviu tudo in loco, sem intermediações. É de assustar o que lemos, talvez, mas só talvez, não seja nem salutar saber de tanta coisa. Uma leitura que nos mostra um pouco mais sobre quem são os políticos na vida real. E quem manda em tudo. 

Estranho até ler esse livro depois de ter lido ‘Manifesto aberto à estupidez humana’, de Ezio Flavio Bazzo e ver como tudo se encaixa. Saber realmente o que pensam os políticos ao conversarem com seus pares em lugares informais, saber em como donos de jornais determinavam os acontecimentos ou como colocavam toda sua energia para que algo fosse como queriam ou não. Ezio fala de seus sentimentos, percepções e conclusões, Paulo Henrique fala de realidade. 

         "No meu governo universalizamos o acesso a escola, mas para quê? O que se ensina ali é um desastre.” Pág. 447

Afirmação de Fernando Henrique Cardoso, nos bastidores. Não que isso fosse um segredo, mas ouvir de um ex presidente, parece bem pior. 

É estarrecedor, inacreditável, triste, cômico, provocador, o que lemos nesse livro.

 

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