Como encontrar a “radiante alegria do ser e uma paz inabalável”? Parece impossível, certo? Ainda mais nessa agitação toda em que vivemos. Informações que soterram nossa cabeça a todo momento. Pressa para tudo, euforia em ter que seguir, correr, alcançar, ser. Mas será que estamos correndo atrás do que realmente importa? 

Como disse Eckhart Tolle no livro o Poder do Agora, pensamos demais, muito mais do que deveríamos. Aliás parar de pensar é que é o difícil, aliviar a mente, sentir-se íntegro com você mesmo. 

 

“O pensamento involuntário e frequente não nos deixa sentir a unidade com nós mesmos.” 

 

Somos impelidos por nossa mente a criar definições, rotulações, conceitos. Nossa cabeça trabalha incansavelmente o dia todo, não descansa nem enquanto dormimos. E com isso temos reflexos físicos da agonia criada, do passado não vivido, ou que se queria viver de modo diferente. Vivemos um futuro que não chegou, que poderá ser, que nos sacrifica no hoje por algo que acontecerá ou não. 

 

Já ouviu aquela expressão que diz pra gente se preocupar com o agora? Deixar um pouco as preocupações, as agonias, os pensamentos com o que ainda vai ser ou o que foi, de lado, e se concentrar no agora?

 

“O momento presente é tudo o que temos”. Segundo Tolle, o passado não existe, já foi, acabou. Bem como o futuro  também é inexistente. Tudo o que temos realmente e o que importa é o Agora. E como fazer para aproveitar esse tempo tão precioso?

 

Por sinal, tempo é um conceito que Tolle enfrenta como algo criado e que só nos traz problemas. Deveríamos ser como animais, plantas e outros seres vivos que vivem o momento presente. São completos em si, não calculando o que será, como será, se será… Não que tenhamos que deixar de fazer planos, de nos organizarmos, mas o segredo está em fazer isso com o foco no momento atual. Em olhar para o lado e sentir tudo à nossa volta, em estarmos em perfeita tranquilidade no que temos hoje, no que somos agora. 

 

Esse olhar para o nosso Eu vai muito além do que conquistamos  materialmente ou dos méritos que temos, bem como o foco deve estar em dissociar nossa espiritualidade de problemas financeiros, de relacionamento ou demais preocupações. Nossa existência correlacional vai muito além de nossa aparência física ou posses. Estamos falando de iluminação espiritual, de sentir-se sublime com você mesmo e com o mundo.

 

Eckhart nos provoca o tempo todo ao descrever nossos hábitos e mostrar o quanto não conhecemos sobre o nosso verdadeiro Eu, o nosso próprio bem-estar. Ele mostra como nossa mente parece ser algo à parte de nosso Ser, como ela trabalha sozinha e nos classifica, como nos faz sentir em relação a nós mesmos, criando conceitos negativos, egocentristas e prejudiciais.

 

Ao longo do livro, Tolle faz referência a essa tão perfeita paz como sendo algo muito antigo, já muito divulgada por Jesus em suas grandiosas pregações, como quando Jesus disse: “bem aventurados os mansos porque herdarão a terra.” Aqui, Jesus já estaria fazendo referência a essa elevação espiritual e encontro do seu Eu verdadeiro, falando de pessoas que encontraram a tranquilidade infinita, amor transbordante e paz contagiante. 

 

Tolle ensina como conseguir encontrar esse estado sublime do Ser fazendo um controle racional em nossa mente no dia a dia. Claro que não é fácil e nem algo corriqueiro, que se faz a qualquer hora, bem, não no começo, pois o propósito é que esse seja nosso estado permanente de vida. E é verdadeiramente possível, tanto quanto recompensador.