Há muitos livros cristãos que nos ensinam sobre a bíblia, a rezar, a conhecer a palavra de Deus, enfim, a tentar compreender e seguir como Jesus ensinou. Mas esse livro é diferente. Eu ao menos nunca havia lido a vida de Jesus em forma de narrativa, como uma história “qualquer”, com personagens de vida comum. 

    E isso é estranho porque é exatamente isso que Jesus e Maria foram, pessoas da vida comum. Atenção, eu não disse que eram pessoas comuns, mas que viviam como os outros, sentiam frio e fome, calor e sono, angústias, alegrias e dor, como todo mundo. Até mesmo uma raivazinha de vez em quando… assim nos mostra esse livro. 

    Ele divide-se em três partes. Começa falando de um rapaz chamado João e como, desde pequeno, ele não se sentia encaixado na comunidade em que vivia e sabia que estava ali para anunciar a vinda de alguém muito importante, alguém definitivo para o mundo, mas que João não sabia quem era. Toda sua vida, seu percurso na terra, seu momento de isolamento para tentar entender realmente como tudo se daria, tudo foi feito com base na certeza de que ele deveria anunciar ao mundo aquele que ainda viria, sem saber de onde, como, e nem quem seria. Uma história de fé e convicção de estar fazendo o certo. Viveu por isso, foi fiel a si e a Deus, até o momento de sua trágica e ao mesmo tempo tranquila morte. Um fim digno de contos de Shakespeare.

     A segunda parte é sobre uma moça simples que lutou a vida toda por entender seu lugar no mundo. Que tinha desejos de seguir seus anseios, de fazer diferente do que todos faziam, mas a realidade a trazia de volta ao pequeno local em que vivia, mostrando que não podia ser de outro jeito. Sua vida foi uma angústia total em obedecer os preceitos culturais e religiosos da época, quando não entendia o motivo de muitas coisas serem daquela forma. Maria aceitou e recebeu a vida de Jesus, cuidou, amou e até implicou, e cumpriu com muito custo o caminho traçado pra ela. 

    Em ‘Jesus o amor de Deus’, a vida de Maria é mostrada como um romance que não deu certo e terminou com uma gravidez que seria vista pelas pessoas com suspeita, fazendo-a se mudar para poder ter o bebê. José é seu parceiro nessa jornada. Mostrado como uma pessoa amorosa, paciente e que possui muito mais proximidade e compreensão da criança Jesus que a própria mãe. 

    E claro, a terceira parte é sobre Jesus. Como foi sua infância, sua falta de habilidade em entender as atitudes das crianças de sua idade a ponto de ter dificuldades de até mesmo brincar com elas. Uma infância sem lugar nos meios da época e uma adolescência relativamente conturbada pelos sentimentos que tinha, pelo que via como certo e bom em contraste com o que era tido como normal para os outros. 

    Sempre buscando falar de modo simples e corrigindo a quem podia em suas atitudes negativas. Ele só tinha a certeza de seguir conforme Deus o pedia. Buscando-o por toda a vida, isolando-se para ter seu momento único com Deus e assim tentar praticar o que lhe foi pedido, mesmo que para ele fosse tão difícil entender porquê os homens não fazem como ensinava, e nem mesmo o compreendiam.Ele amava. Simplesmente e conturbadamente, amava.

 

Ainda que para a minha enorme fé e pouca cultura este seja um livro em que muitas partes eu tenha meu pé atrás e não veja da mesma forma, ainda assim é um livro interessante em seu modo de trazer tão delicada história. Concordando ou não, crendo ou não, com certeza há muito o que aprender com ‘Jesus o amor de Deus’. 

“Quando nos tornamos violentos, incorremos em injustiça.” Pág. 36

 

“Observai as flores dos campos: seus cálices desabrocham aos raios solares. Cogitarão elas de onde procedem tais raios? Quem os enviou?“ Pág. 140

 

“O amor autêntico descortina as fraquezas do próximo e se esmera em ajudá-lo a vencê-las.” Pág. 168

 

“Terieis tanto a recriminar em voz próprios, e no entanto não vos canais de observar o vosso próximo, visando descobrir seus defeitos. Amado o vosso próximo como a vós próprios, e muita coisa que agora condenais vos há de parecer mais compreensível.”

 

“Sentia que era uma dádiva não poder, nesta terra, antever o próprio fim. Uma muralha erguia-se diante do futuro, para que apenas vivesse o presente.” Pág. 303

 

“Se sabe que não sofre sem culpa, deixa que o suprimento se transforme em benção.” Pág. 381

 

 

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