A situação dos mineiros na Europa em busca de carvão mais uma vez é o ponto inicial de um livro que mostra um levante ante as péssimas condições de trabalho e a exploração que sofriam. Na trilogia “O inverno do mundo”, eles também foram o debut da história.
E não podia ser menos que isso, pois foi uma época de enormes dificuldades sociais que provocou levantes e revoltas em diversas regiões da Europa.
As famílias viviam e se perpetuavam trabalhando nas minas, não pensavam se havia como ser diferente. Era aquilo e ponto. Gerações e gerações se perpetuando num trabalho escravo, insalubre e desumano. Os pensamentos de mudança até apareciam, mas morriam muito antes de serem sequer compartilhados.
“- Os chefes são sempre canalhas; mas sempre vai haver chefes, não é verdade? Não vale a pena quebrar a cabeça com essas coisas.
Étienne e revoltada. Os operários não deviam ser proibidos de pensar.” Pág. 58
Mas a coragem veio quando alguém de fora da comunidade entrou na rotina de trabalho e viu que não podia ser assim.
Quando as conversas de mudança de vida começaram, tudo ficou estranho, mas motivador. Pela primeira vez, para muitos, o assunto no jantar mudou. Não se falava mais no acidente ou quem foi maltratado naquele dia e sim em associações e modos de vida.
“Nada acaba definitivamente, é preciso um pouco de felicidade para que tudo recomece.” Pág. 225
Germinal traz a luta de trabalhadores por terem a chance de viver, e não sobreviver. Sem comida suficiente, sem saúde, com roupas esfarrapadas e casas depreciadas, essas pessoas foram impelidas a buscarem uma negociação com os donos das minas a terem condições de trabalho e remuneração mais dignas e correspondentes às necessidades diárias.
Por outro lado, os aristocratas, os exploradores das minas e os proprietários das terras em que elas se encontram, enfrentam um momento de grande tensão com o levante que se avoluma na origem de suas riquezas. Enquanto uns morrem de fome, outros se esbaldam em bailes derramando fartura.
Já viram isso em algum lugar?
“Quem era o idiota que punha a felicidade do mundo na distribuição da riqueza? Não, o único bem era não ser, ou, sendo, ser a árvore, ser a pedra, menos ainda, ser o grão de areia que não sangra ao ser pisoteado.” Pág. 140
Uma greve. Levada às últimas consequências. Sobrevivência. Perdas.
Uma semente é plantada. E germina.
“ ...no fundo da terra terminava uma semente, e um belo dia os homens brotariam da terra, um exército de homens que viria estabelecer a justiça.”
